|

Olá, hoje vou fugir um pouco da temática que venho apresentando, pois não
poderia perder a oportunidade de falar sobre essa figura maravilhosa que é o
Mestre Capoeira - Mestre de bateria da Império da Tijuca, que tem tantas
histórias boas para nos contar.
Na terça feira 10/06, tive o prazer em
participar da homenagem pelo seu aniversário, realizada no quadra da verde e
branco no Morro da Formiga. Foi uma noite maravilhosa compartilhada entre amigos
do samba como o presidente da escola o Antônio Marcos Teles (Tê), entre tantos
outros. Trago hoje
uma entrevista com o Mestre Capoeira – mestre de bateria da Império da Tijuca,
cujo nome de batismo é Antônio Martins.
Márcia Leão – Capoeira como você começou no samba?
Mestre Capoeira - Eu comecei
basicamente no bairro do Santo Cristo; lá tinha um bloco carnavalesco onde
participei, esse foi o meu primeiro contato com bateria.
Márcia Leão – E quanto tempo faz?
Mestre Capoeira - Eu era
garoto, tinha nove (9) anos da idade. Nasci em 1964, logo, foi nos anos setenta
(70) que comecei.
Márcia Leão – Capoeira nos conta sobre um desfile que
tenha te emocionado?
Mestre Capoeira – O mais
emocionante foi o enredo Prata da Noite – Grande Otelo da escola Estácio de Sá,
carnaval de 1986.
Márcia Leão – Por quê?
Mestre Capoeira – Pela
fantasia; pela emoção de passar com a escola do coração que é a Estácio; pela
dificuldade que a escola vinha passando na época. É muito emocionante você ver a
bateria toda montada. Naquele ano nós pintamos nossas caras de preto para
caracterizar o Grande Otelo. Foi um espanto na avenida, e a bateria da Estácio
naquele tempo era a mais temida entre as escolas de samba. Nós viemos todos de
terno dourado, chapeuzinho de malandro e pintado de preto, foi tudo!
Márcia Leão – Capoeira qual foi a pior fantasia que você
já usou?
Mestre Capoeira – A pior, eu vindo como ritmista, foi em
1981 na Portela, enredo de Viriato Ferreira – Das maravilhas do mar, fez-se o
esplendor de uma noite. A bateria tinha uma renda de pescador atrás, e foi
complicado, veio todos pisando um no outro, o chapéu veio embolando – a bateria
toda foi um desastre por completo.
E como mestre de bateria, foi na Arranco em 2005. A fantasia era linda, mas para
destaque, não para ritmista.
Márcia Leão – E qual foi a melhor fantasia que você já
usou?
Mestre Capoeira – A melhor para desfilar, foi a da Estácio
no enredo Grande Otelo, porque ela era leve, tinha só o terno, o chapéu e mais
nada.
Márcia Leão – Capoeira como deve ser confeccionada a
fantasia para a bateria, o que deve ser levado em conta pelo carnavalesco?
Mestre Capoeira – É preciso se
preocupar mais com o movimento do ritmista e não somente com o impacto visual
que vai causar na avenida. Acho que todo carnavalesco gosta muito de dar ênfase
mais a parte estética do desfile, mas para batuqueiro, que vai batucar, tem que
estar livre, solto mesmo para poder desfilar.
Márcia Leão – Tem coisas que normalmente os carnavalescos
idealizam para as fantasias que prejudicam os ritmistas evoluírem na avenida?
Mestre Capoeira – Sim,
resplendor, chapéu muito alto, com muitas pontas, prejudica demais; as fantasias
de época também são complicadas, muito fechadas – são piores para desfilar.
Quanto mais leve as fantasias melhor.
Márcia Leão – Capoeira comete sobre os SAMBANETS que você
já recebeu.
Mestre Capoeira – O primeiro que
recebi, foi o primeiro mesmo, da primeira edição em 1999. Eu era diretor da
escola Vizinha Faladeira – juntamente com o Mestre Esteves, que dirigiu depois a
Estácio.
Mas o melhor para mim, foi pela Arranco em 2005, pois eu tinha vindo no ano
anterior, de uma situação difícil na Vizinha Faladeira, saí de lá (Vizinha)
brigado com o presidente, fiz todo o trabalho e me desliguei há um mês do
carnaval. Mas a bateria desfilou, botou todas as minhas bossas, todo o trabalho
que eu tinha feito e acabou levando o SAMBANET de 2004.
Os próprios diretores de bateria da Vizinha, devido ao trabalho que fiz lá,
fizeram questão de me chamar ao palco e de me ofertarem o prêmio, então para mim
foi muito importante.
Eu sou um cara que posso dizer que tenho três SAMBANETS na
vida, dois que eu ganhei (Vizinha Faladeira 1999 – Arranco 2005) e um que me foi
ofertado na premiação do SAMBANET de 2004 (na Vizinha).
Márcia Leão – Capoeira nos conte um pouco sobre o
seu projeto com as crianças – Projeto Sinfonia Imperial. Como e quando surgiu?
Mestre Capoeira – A intenção
mesmo é tentar resgatar um pouco da cultura do samba que já foi muito castigada
pela escassez de projetos e de incentivos dos diretores. Agora estou montando
esse projeto e tentando fazer a molecada gostar um pouca mais de samba.
Márcia Leão – O que é exatamente esse projeto?
Mestre Capoeira – Eu já tinha
feito algo parecido na Vizinha Faladeira, remontei-o agora para que façam surgir
novos talentos no dia-a-dia e nos ensaios.
Márcia Leão – Quem são essas crianças/o perfil delas?
Mestre Capoeira – Essas crianças são
basicamente daqui da comunidade do Morro da Formiga. Eu as peguei de um projeto
de futebol que tem aqui, já montado há anos. Onde os rapazes, o José Carlos e o
Jair, fazem uma checagem em toda a parte da educação, se estão estudando,
matriculados, como estão as notas. Para mim fica mais fácil, eles já vêem
lapidados de lá para cá. Essa peneira referente a parte educacional eu não
preciso fazer, assim, posso me dedicar mais a parte do ritmo propriamente dito.
Márcia Leão – Quantas crianças são?
Mestre Capoeira – São setenta
e oito (78) ao todo.
Márcia Leão – O projeto tem aqui no Imperinho e também em
São Cristóvão, correto?
Mestre Capoeira – Sim, em São
Cristóvão é junto com o meu amigo o mestre Montovani que faz parte também da
minha diretoria, a gente faz um projeto em conjunto também com crianças carentes
de lá.
Márcia Leão – Capoeira o que é uma boa bateria para você?
Mestre Capoeira – Uma boa
bateria tem que ter um bom mestre, uma boa direção de bateria, um bom
presidente, uma boa diretoria de escola; que te dê um bom suporte, para que você
consiga por tudo em prática, ter condições de trabalho e na avenida você possa
acompanhar o samba como o samba merece.
Márcia Leão – Capoeira você pede deixar um recado final
para os ritmistas e para todos os amigos e admiradores?
Mestre Capoeira – Peço que
continuem sempre me acompanhando, é tudo que espero dos amigos esse bom
convívio. A minha bateria, por exemplo, é mais formada de amigos; pois a
primeira coisa que eu faço quando olho para um ritmista, é ver a amizade dele,
depois vem a vontade de trabalhar um pouco ali dentro com ele. O que espero é
ter amigos sinceros.
Fim
Obrigada pela visita, espero que tenham gostado da matéria de hoje e não
esqueçam de deixar uma mensagem na
minha coluna
comentando o que vocês tem achado das matérias e tudo mais.
Até breve, forte abraço, paz sempre!
Márcia Leão.

Mestre Capoeira pela Império
da Tijuca, enredo “Duzentos anos da corte real nos jardins da Família Real” de
2008, carnavalesco Sandro Gomes.

Mestre Capoeira pela Arranco do Engenho de Dentro, enredo “Guelédés, o retrato
das almas” de 2006, carnavalesco Jorge Caribé.

Mestre Capoeira ao lado seu filho Ian pela Império da Tijuca, enredo – “O
Intrépido Santo Guerreiro” de 2007, carnavalesco Sandro Gomes.

Mestre Capoeira – SAMBANET Arranco 2005

Mestre Capoeira – SAMBANET Arranco 2005
|