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:: Jamelão |
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Chico Buarque disse, certa
vez, que Jamelão “era um imenso cantor” com o “melhor mau humor
do Brasil”. Com certeza, Chico está certíssimo em afirmar a
primazia de Jamelão em ser o melhor cantor, mas dizer que tinha
o melhor mau humor é para não se concordar. Impossível não
simpatizar-se com aquele senhor, que odiava ser chamado de
puxador de samba, mas que, minutos antes de sua escola de
coração, Mangueira, entrar na avenida, nos dava calafrios ao
ouvir sua voz única e forte. Definitivamente, é de se concordar
com o diretor de carnaval da Vila Isabel, Ricardo Fernandes,
quando afirma que Jamelão era o “ícone do carnaval carioca”, um
verdadeiro “ponto de referência para todos os cantores”, pois
“primava por manter a qualidade no seu trabalho e exigente na
relação ao canto”.

Realmente,
o bairro de São Cristóvão, a escola de samba Mangueira e, porque
não todo o Brasil, ficou mais triste, neste 16 de junho. E
Jamelão que pensava que seria sempre operário...
Ainda bem que José Bispo Clementino dos Santos estava enganado!
Nascido em 12 de maio de 1913, no bairro de São Cristóvão, Zona
Norte carioca, começou a ganhar a vida, já aos nove anos, como
engraxate e depois como pequeno jornaleiro. Mas foi na gafieira
do Jardim do Méier, um dos muitos endereços que o consagraram
como grande ícone do samba, que foi apelidado de Jamelão.
Aos 15
anos, já tinha prestígio em certos bairros como percussionista e
cavaquinista, e levado por Lauto Santo, mais conhecido como
Gradim, foi conhecer a Mangueira, sua grande paixão.
Dentro do
barracão da escola, Jamelão começou a se enturmar com a ala dos
compositores, mas o samba, naquela época, só era motivo de
diversão. E Jamelão já não trabalhava mais como jornaleiro, e
sim como funcionário da antiga fábrica de tecidos Confiança.
A partir
de 1930, com forte influência de Cyro Monteiro, começaria a
cantar em gafieiras da Zona Norte carioca, como Fogão, em Vila
Isabel, Cigarra e Tupi. Daí por diante, nosso querido intérprete
só apareceria quando tivesse que assinar alguma composição. Já
em 1940, começou a participar dos concorridos programas de
calouros em famosas rádios da época, onde em 1945 ganhou o
primeiro lugar no programa de calouros durante o desfile de Ary
Barroso, com a música “Ai, que saudades da Amélia”, de Ataulfo
Alves e do ator Mário Lago. Com a fama pelo prêmio, conseguiu um
contrato para cantar em rádios e se tornou crooner da Orquestra
Tabajara do Maestro Severiano Araújo, tendo, então, sua primeira
viagem internacional, se apresentando pela Europa.
Na
gravadora Odeon, em 1949, Jamelão grava uma samba de Antenógenes
Silva e J. Correira da Silva, chamado “A jibóia comeu” e outro
samba de parceria de Antenógenes e Irani de Oliveira, “Pensando
nela”. Mas, o que marcou mesmo nesse ano foi tornar-se
interprete dos sambas enredos da Mangueira, cargo que ocupou até
o fim de sua vida. Neste ano ainda, teve a primazia de
substituir Francisco Alves em uma série de shows apresentados no
Teatro João Caetano.
No ano
seguinte, Jamelão gravou outros sambas também pela gravadora
Continental com composições de Zé Kéti, Pandeirinho e Bily
Blanco, além dos shows com a Orquestra Tabajara.

Sua
interpretação foi se aperfeiçoando e em 1956, grava sua primeira
composição chamada “Cansado de sofrer”. Neste ano, surgem seus
maiores sucessos como “Folha morta”, de Ary Barroso e “Exaltação
à Mangueira”, de Enéias Brito e Aluísio Augusto da Costa. Em
1958 lança seu primeiro LP, intitulado “Samba em noite de gala”,
pela gravadora Continental. Após essa data, ainda pela gravadora
Continental, até 1988, lança sucessos como “Ela disse-me sim”,
“Esses moços” e “Torre de Babel”, ambos de autoria de Lupicínio
Rodrigues.
Do final
da década de 1950 em diante, Jamelão permaneceu cantando e
interpretando sambas de todos os tipos, desde os de exaltação
feitos para os desfiles até os mais sublimes. Sua voz
inconfundível venceu preconceitos e seu talento e sabedoria
ultrapassaram os limites da escola de samba Mangueira para
ganhar o mundo.
No
carnaval de 1990, Jamelão anunciou o fim da sua carreira de
intérprete de escola de samba. Durante o que julgou ser seu
último desfile, nosso saudoso intérprete, que havia chegado ao
sambódromo com febre alta, passa mal, mas consegue terminar o
desfile. Na Praça da Apoteose, ele anunciou, pelo microfone do
carro de som, sua decisão de parar de cantar em desfiles.
Agradeceu a toda a escola e à bateria. Nessa época, Jamelão
começava a enfrentar problemas com a pressão. Mas
surpreendentemente, no ano seguinte, ele volta à ativa e não
para mais.
De 1949
até 2006 Jamelão interpretou todos os sambas de enredo da
Mangueira, mas, diabético e hipertenso, em 2006 sofre dois
derrames. E aos 95 anos, na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em
16 de junho de 2008 morre por falência múltipla dos órgãos.
De
personalidade forte e sem papas na língua, Jamelão é, também, um
homem de muitas manias. Uma delas era o de manter uma caixa
cheia de elásticos no bolso e alguns deles nas mãos. Costumava
dizer que carregava os elásticos para utilizá-los no dia em que
ganhasse bastante dinheiro. A sobriedade de suas interpretações
mesclada com sua personalidade forte e suas já folclóricas
manias o tornaram uma das mais importantes figuras da música
popular brasileira e porque não dizer, um ícone do carnaval.
Marcos Paulo
Ciccone
Jornalista e especialista em Didática do Ensino Superior e
Comunicação Empresarial
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:: Clóvis Bornay |
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Apresentando-me.
O convite para escrever no site surgiu de uma visita à coluna do Dudu Affonso,
que trata das “Pérolas do carnaval”. Fiz meu comentário acerca da coluna e o Mau
gostou bastante da idéia que sugeri ao Dudu de falar também sobre as grandes
pérolas do carnaval, algo Jamelão, as damas da Mangueira, as Velhas-guardas,
Joãosinho Trinta, entre outros. Para a minha surpresa e extrema gratidão, o Mau
sugeriu a mim escrever a coluna.
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Para a estréia escolhi
falar sobre uma das maiores personalidades do carnaval carioca e, porque
não, do Brasil: Clóvis Bornay. Com toda sua maestria e fantasias, traço um
perfil desse museólogo e carnavalesco apaixonado por carnaval que nos deixou
em 2005, aos 85 anos. |
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“Entra primeiro quem está
fantasiado”
Parafraseando uma pérola do apresentador e dono de emissora Sílvio Santos,
diria, a respeito de Clóvis Bornay, que na porta do céu “entra primeiro quem
está fantasiado”, ou, que o céu agora tem carnavalesco e que Deus está muito
mais luxuoso. Esse verdadeiro
ícone do carnaval nasceu em Nova Friburgo, Região Serrana do estado do Rio de
Janeiro em 1928, e ainda muito novo já mostrava seu gosto pelas fantasias e pelo
samba participando dos bailes de carnaval do Fluminense Futebol Clube. Um pouco
mais jovem, já aos 18 anos, entrou para o teatro municipal sob a direção de
Silvio Piergilli, criando um baile de fantasias de luxo. Mas, sua primeira
fantasia não foi criada por ele mesmo, ficou a cargo da italiana Josefina
Pampuri que criou para Bornay o “Príncipe Hindu” para a estréia em grande
estilo. O resultado não foi outro: foi aplaudido de pé por toda a platéia.
O tempo foi passando, o carnaval tornando-se mais popular e Bornay foi se
transformando em um dos maiores nomes da história do carnaval carioca. Suas
fantasias eram sinônimos de beleza, elegância, inovação e criatividade. Não era
a toa que ganhava todos os prêmios nos concursos no Teatro Municipal, e isso
concorrendo com gente de peso como Guilherme Guimarães, Flávio Rocha, Mauro
Rosas, Marlene de Paiva, entre outros. Tamanha maestria lhe concedeu um prêmio
inédito e o maior de todos: a condecoração como Hors Concours, onde poderia
participar de qualquer concurso de fantasias, pois nunca seria julgado como os
demais. Até porque, todos nós sabemos que Bornay é superior a todos os outros
participantes.

Do teatro ao samba
Com a idéia de levar para a Sapucaí nomes importantes do Teatro Municipal, o
Salgueiro, em 1966, convida Bornay a integrar a agremiação para fazer o carnaval
daquele ano. O enredo Amores Célebres do Brasil, fazia referência às paixões
inesquecíveis da história brasileira. O tímido 7° lugar no carnaval daquele ano,
ocasionado por um desfile frio e prejudicado pela chuva, não deixou passar o
brilhantismo de Bornay. Este desfile, sob a batuta do carnavalesco, pode ser
considerado como um advento, com a vinda de fantasias luxuosas para os destaques
nos carros alegóricos, inaugurando uma outra fase no carnaval carioca.
No ano seguinte, com a junção das duas escolas Unidos da Capela e Aprendizes de
Lucas, surgiu a então Unidos de Lucas, mais conhecida como Galo de Ouro da
Leopoldina, por suas cores vermelha e dourada. Bornay foi convidado a integrar a
recém-criada escola. Com o enredo Festas Tradicionais do Rio de Janeiro, uma
verdadeira exaltação aos festejos mais marcantes das história do Rio, deu a
agremiação o 5° lugar.
Ainda pela Unidos de Lucas, no ano seguinte, Bornay aposta no enredo História do
Negro no Brasil, com samba de Nilton Russo, Zeca Melodia e Carlinhos Madrugada.
Este enredo falava sobre um assunto que sempre gerou muita discussão: a abolição
da escravatura no Brasil imperial. Com ares de “já ganhou”, a escola da Zona
Norte ficou novamente com o 5° lugar na disputa.
Em mais um ano de trabalhos na Unidos de Lucas, Bornay ganhou o 9° lugar com o
enredo Rapsódia Folclórica. A escola teve diversos problemas por conta do sumiço
de vários componentes da bateria e por problemas técnicos durante o desfile.
Já na Portela, em 1970, Bornay planejou o desfile com o enredo Lendas e
Mistérios da Amazônia. O samba, considerado por muitos como o melhor samba da
escola, foi cantado pelos 3.000 componentes do início ao fim do desfile. Bornay,
novamente, demonstrava maestria em suas fantasias feitas com seu toque pessoal.
Adereços feitos a mão e alegorias impecáveis fez com que a escola tivesse uma
comunicação incrível com a platéia, ocasionando forte aceitação do público. Num
feito inédito, a agremiação conquistou seu 19° título, dando a Bornay o primeiro
e único campeonato.

Em 1972, Bornay estréia na Mocidade Independente de Padre Miguel, com o enredo
Rainha Mestiça no Tempo do Lundu. Com um desfile tecnicamente perfeito e bem
simpático, a escola levou o 6° lugar. No ano seguinte, com o enredo Rio – Zé
Pereira, leva a 7ª colocação.
O carnavalesco como destaque
Mesmo sem fazer mais desfiles a partir de 1973, Bornay foi durante muito tempo
um grande destaque de diversas escolas de samba. Figurando sempre como grande
destaque das agremiações, era muito aguardo, pois fazia sempre muito segredo
acerca de suas fantasias. Era
um grande ativista em defender a gratuidade dos desfiles das escolas, pois
sempre achou que o carnaval era a “festa do povo”. Ainda hoje, suas fantasias
podem ser encontradas em acervos nos Estados Unidos e Europa.
Em 1996, o carnavalesco recebe da Assembléia Legislativa do Rio a medalha
Tiradentes, dada sempre a personalidades que tenha relevância cultural ou em
grandes serviços prestados no país.
Em outubro de 2005, Clóvis Bornay vem a falecer depois de uma parada
cardiorrespiratória em decorrência a uma desidratação por conta de uma infecção
intestinal. O que fica registrado desse grande artista é a sua extravagância,
beleza, estética e originalidade de seus trabalhos pioneiros nas escolas de
samba carioca. E, se assim for, que Clóvis Bornay está no céu, é que Deus agora
será muito mais luxuoso, digamos que é o fim daquela túnica branca básica, tão
simplista.
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:: Comentários das Colunas de
Marcos Paulo |
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De:
Felipe Vianna
Mensagem:
Gostei do desfeixo: \"Deus agora será muito mais
luxuoso, digamos que é o fim daquela túnica branca básica, tão simplista.\"
Achei extremamente criativo e informativo, traça dados biográficos do artista e
a importância cultural que ele teve para a nossa sociedade. Parabéns Marcos,
você acertou!
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Seu site anda
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entendo pq tu me fizeste trabalhar com todos eles... ...tu é o Rei dos Reis pai
amado, o REI dos reis ;) |
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