saber tudo

DVD Alex de Oliveira A História de um REI !

  Toda semana estaremos colocando trechos de cenas que estarão no DVD que contará a história de todo reinado de Alex de Oliveira desde o início até sua despedida. O lançamento será realizado em grande festa em 2009. VER !

Página Inicial Alex Fitness Alex Arquiteto Alex Professor Arquivo do REI

:: Jamelão


  Chico Buarque disse, certa vez, que Jamelão “era um imenso cantor” com o “melhor mau humor do Brasil”. Com certeza, Chico está certíssimo em afirmar a primazia de Jamelão em ser o melhor cantor, mas dizer que tinha o melhor mau humor é para não se concordar. Impossível não simpatizar-se com aquele senhor, que odiava ser chamado de puxador de samba, mas que, minutos antes de sua escola de coração, Mangueira, entrar na avenida, nos dava calafrios ao ouvir sua voz única e forte. Definitivamente, é de se concordar com o diretor de carnaval da Vila Isabel, Ricardo Fernandes, quando afirma que Jamelão era o “ícone do carnaval carioca”, um verdadeiro “ponto de referência para todos os cantores”, pois “primava por manter a qualidade no seu trabalho e exigente na relação ao canto”.

  Realmente, o bairro de São Cristóvão, a escola de samba Mangueira e, porque não todo o Brasil, ficou mais triste, neste 16 de junho. E Jamelão que pensava que seria sempre operário...
Ainda bem que José Bispo Clementino dos Santos estava enganado!
Nascido em 12 de maio de 1913, no bairro de São Cristóvão, Zona Norte carioca, começou a ganhar a vida, já aos nove anos, como engraxate e depois como pequeno jornaleiro. Mas foi na gafieira do Jardim do Méier, um dos muitos endereços que o consagraram como grande ícone do samba, que foi apelidado de Jamelão.

  Aos 15 anos, já tinha prestígio em certos bairros como percussionista e cavaquinista, e levado por Lauto Santo, mais conhecido como Gradim, foi conhecer a Mangueira, sua grande paixão.

  Dentro do barracão da escola, Jamelão começou a se enturmar com a ala dos compositores, mas o samba, naquela época, só era motivo de diversão. E Jamelão já não trabalhava mais como jornaleiro, e sim como funcionário da antiga fábrica de tecidos Confiança.

  A partir de 1930, com forte influência de Cyro Monteiro, começaria a cantar em gafieiras da Zona Norte carioca, como Fogão, em Vila Isabel, Cigarra e Tupi. Daí por diante, nosso querido intérprete só apareceria quando tivesse que assinar alguma composição. Já em 1940, começou a participar dos concorridos programas de calouros em famosas rádios da época, onde em 1945 ganhou o primeiro lugar no programa de calouros durante o desfile de Ary Barroso, com a música “Ai, que saudades da Amélia”, de Ataulfo Alves e do ator Mário Lago. Com a fama pelo prêmio, conseguiu um contrato para cantar em rádios e se tornou crooner da Orquestra Tabajara do Maestro Severiano Araújo, tendo, então, sua primeira viagem internacional, se apresentando pela Europa.

  Na gravadora Odeon, em 1949, Jamelão grava uma samba de Antenógenes Silva e J. Correira da Silva, chamado “A jibóia comeu” e outro samba de parceria de Antenógenes e Irani de Oliveira, “Pensando nela”. Mas, o que marcou mesmo nesse ano foi tornar-se interprete dos sambas enredos da Mangueira, cargo que ocupou até o fim de sua vida. Neste ano ainda, teve a primazia de substituir Francisco Alves em uma série de shows apresentados no Teatro João Caetano.

  No ano seguinte, Jamelão gravou outros sambas também pela gravadora Continental com composições de Zé Kéti, Pandeirinho e Bily Blanco, além dos shows com a Orquestra Tabajara.

  Sua interpretação foi se aperfeiçoando e em 1956, grava sua primeira composição chamada “Cansado de sofrer”. Neste ano, surgem seus maiores sucessos como “Folha morta”, de Ary Barroso e “Exaltação à Mangueira”, de Enéias Brito e Aluísio Augusto da Costa. Em 1958 lança seu primeiro LP, intitulado “Samba em noite de gala”, pela gravadora Continental. Após essa data, ainda pela gravadora Continental, até 1988, lança sucessos como “Ela disse-me sim”, “Esses moços” e “Torre de Babel”, ambos de autoria de Lupicínio Rodrigues.

  Do final da década de 1950 em diante, Jamelão permaneceu cantando e interpretando sambas de todos os tipos, desde os de exaltação feitos para os desfiles até os mais sublimes. Sua voz inconfundível venceu preconceitos e seu talento e sabedoria ultrapassaram os limites da escola de samba Mangueira para ganhar o mundo.

  No carnaval de 1990, Jamelão anunciou o fim da sua carreira de intérprete de escola de samba. Durante o que julgou ser seu último desfile, nosso saudoso intérprete, que havia chegado ao sambódromo com febre alta, passa mal, mas consegue terminar o desfile. Na Praça da Apoteose, ele anunciou, pelo microfone do carro de som, sua decisão de parar de cantar em desfiles. Agradeceu a toda a escola e à bateria. Nessa época, Jamelão começava a enfrentar problemas com a pressão. Mas surpreendentemente, no ano seguinte, ele volta à ativa e não para mais.

  De 1949 até 2006 Jamelão interpretou todos os sambas de enredo da Mangueira, mas, diabético e hipertenso, em 2006 sofre dois derrames. E aos 95 anos, na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em 16 de junho de 2008 morre por falência múltipla dos órgãos.

  De personalidade forte e sem papas na língua, Jamelão é, também, um homem de muitas manias. Uma delas era o de manter uma caixa cheia de elásticos no bolso e alguns deles nas mãos. Costumava dizer que carregava os elásticos para utilizá-los no dia em que ganhasse bastante dinheiro. A sobriedade de suas interpretações mesclada com sua personalidade forte e suas já folclóricas manias o tornaram uma das mais importantes figuras da música popular brasileira e porque não dizer, um ícone do carnaval.

Marcos Paulo Ciccone
Jornalista e especialista em Didática do Ensino Superior e Comunicação Empresarial
 

:: Clóvis Bornay


Apresentando-me.

O convite para escrever no site surgiu de uma visita à coluna do Dudu Affonso, que trata das “Pérolas do carnaval”. Fiz meu comentário acerca da coluna e o Mau gostou bastante da idéia que sugeri ao Dudu de falar também sobre as grandes pérolas do carnaval, algo Jamelão, as damas da Mangueira, as Velhas-guardas, Joãosinho Trinta, entre outros. Para a minha surpresa e extrema gratidão, o Mau sugeriu a mim escrever a coluna.
 

  Para a estréia escolhi falar sobre uma das maiores personalidades do carnaval carioca e, porque não, do Brasil: Clóvis Bornay. Com toda sua maestria e fantasias, traço um perfil desse museólogo e carnavalesco apaixonado por carnaval que nos deixou em 2005, aos 85 anos.

“Entra primeiro quem está fantasiado”

Parafraseando uma pérola do apresentador e dono de emissora Sílvio Santos, diria, a respeito de Clóvis Bornay, que na porta do céu “entra primeiro quem está fantasiado”, ou, que o céu agora tem carnavalesco e que Deus está muito mais luxuoso.

Esse verdadeiro ícone do carnaval nasceu em Nova Friburgo, Região Serrana do estado do Rio de Janeiro em 1928, e ainda muito novo já mostrava seu gosto pelas fantasias e pelo samba participando dos bailes de carnaval do Fluminense Futebol Clube. Um pouco mais jovem, já aos 18 anos, entrou para o teatro municipal sob a direção de Silvio Piergilli, criando um baile de fantasias de luxo. Mas, sua primeira fantasia não foi criada por ele mesmo, ficou a cargo da italiana Josefina Pampuri que criou para Bornay o “Príncipe Hindu” para a estréia em grande estilo. O resultado não foi outro: foi aplaudido de pé por toda a platéia.

O tempo foi passando, o carnaval tornando-se mais popular e Bornay foi se transformando em um dos maiores nomes da história do carnaval carioca. Suas fantasias eram sinônimos de beleza, elegância, inovação e criatividade. Não era a toa que ganhava todos os prêmios nos concursos no Teatro Municipal, e isso concorrendo com gente de peso como Guilherme Guimarães, Flávio Rocha, Mauro Rosas, Marlene de Paiva, entre outros. Tamanha maestria lhe concedeu um prêmio inédito e o maior de todos: a condecoração como Hors Concours, onde poderia participar de qualquer concurso de fantasias, pois nunca seria julgado como os demais. Até porque, todos nós sabemos que Bornay é superior a todos os outros participantes.

Do teatro ao samba

Com a idéia de levar para a Sapucaí nomes importantes do Teatro Municipal, o Salgueiro, em 1966, convida Bornay a integrar a agremiação para fazer o carnaval daquele ano. O enredo Amores Célebres do Brasil, fazia referência às paixões inesquecíveis da história brasileira. O tímido 7° lugar no carnaval daquele ano, ocasionado por um desfile frio e prejudicado pela chuva, não deixou passar o brilhantismo de Bornay. Este desfile, sob a batuta do carnavalesco, pode ser considerado como um advento, com a vinda de fantasias luxuosas para os destaques nos carros alegóricos, inaugurando uma outra fase no carnaval carioca.

No ano seguinte, com a junção das duas escolas Unidos da Capela e Aprendizes de Lucas, surgiu a então Unidos de Lucas, mais conhecida como Galo de Ouro da Leopoldina, por suas cores vermelha e dourada. Bornay foi convidado a integrar a recém-criada escola. Com o enredo Festas Tradicionais do Rio de Janeiro, uma verdadeira exaltação aos festejos mais marcantes das história do Rio, deu a agremiação o 5° lugar.

Ainda pela Unidos de Lucas, no ano seguinte, Bornay aposta no enredo História do Negro no Brasil, com samba de Nilton Russo, Zeca Melodia e Carlinhos Madrugada. Este enredo falava sobre um assunto que sempre gerou muita discussão: a abolição da escravatura no Brasil imperial. Com ares de “já ganhou”, a escola da Zona Norte ficou novamente com o 5° lugar na disputa.

Em mais um ano de trabalhos na Unidos de Lucas, Bornay ganhou o 9° lugar com o enredo Rapsódia Folclórica. A escola teve diversos problemas por conta do sumiço de vários componentes da bateria e por problemas técnicos durante o desfile.

Já na Portela, em 1970, Bornay planejou o desfile com o enredo Lendas e Mistérios da Amazônia. O samba, considerado por muitos como o melhor samba da escola, foi cantado pelos 3.000 componentes do início ao fim do desfile. Bornay, novamente, demonstrava maestria em suas fantasias feitas com seu toque pessoal. Adereços feitos a mão e alegorias impecáveis fez com que a escola tivesse uma comunicação incrível com a platéia, ocasionando forte aceitação do público. Num feito inédito, a agremiação conquistou seu 19° título, dando a Bornay o primeiro e único campeonato.

Em 1972, Bornay estréia na Mocidade Independente de Padre Miguel, com o enredo Rainha Mestiça no Tempo do Lundu. Com um desfile tecnicamente perfeito e bem simpático, a escola levou o 6° lugar. No ano seguinte, com o enredo Rio – Zé Pereira, leva a 7ª colocação.

O carnavalesco como destaque

Mesmo sem fazer mais desfiles a partir de 1973, Bornay foi durante muito tempo um grande destaque de diversas escolas de samba. Figurando sempre como grande destaque das agremiações, era muito aguardo, pois fazia sempre muito segredo acerca de suas fantasias.

Era um grande ativista em defender a gratuidade dos desfiles das escolas, pois sempre achou que o carnaval era a “festa do povo”. Ainda hoje, suas fantasias podem ser encontradas em acervos nos Estados Unidos e Europa.

Em 1996, o carnavalesco recebe da Assembléia Legislativa do Rio a medalha Tiradentes, dada sempre a personalidades que tenha relevância cultural ou em grandes serviços prestados no país.

Em outubro de 2005, Clóvis Bornay vem a falecer depois de uma parada cardiorrespiratória em decorrência a uma desidratação por conta de uma infecção intestinal. O que fica registrado desse grande artista é a sua extravagância, beleza, estética e originalidade de seus trabalhos pioneiros nas escolas de samba carioca. E, se assim for, que Clóvis Bornay está no céu, é que Deus agora será muito mais luxuoso, digamos que é o fim daquela túnica branca básica, tão simplista.
 

:: Comentar Coluna

  Todos os comentários serão enviados ao colunista como também para administração do site para aprovação de seu conteúdo visando evitar qualquer tipo de material ofensivo ou qualquer coisa do tipo. Liberado seu conteúdo seu comentário estará aqui em até 48hs.

Fale Conosco
Nome:
E-mail:
Comentar:
 
:: Comentários das Colunas de Marcos Paulo


De:
Felipe Vianna
Mensagem: Gostei do desfeixo: \"Deus agora será muito mais luxuoso, digamos que é o fim daquela túnica branca básica, tão simplista.\" Achei extremamente criativo e informativo, traça dados biográficos do artista e a importância cultural que ele teve para a nossa sociedade. Parabéns Marcos, você acertou!
 

  Seu site anda meio parado ? Quer dar uma sacudida nele ?
  Fala com o Mau que ele tem uma solução especial para o que você está precisando ;)

São mais de 10 anos com mais de 200 trabalhos realizados para empresas, celebridades e pessoas físicas. Precisa de um serviço de qualidade com um bom preço para produção do seu Web Site, Programação Visual, Designer Gráfico, Cobertura e Marketing Web? Fala com o Mau que ele tem uma solução para o que você está precisando ;)

é Senhor, agora entendo pq tu me fizeste trabalhar com todos eles... ...tu é o Rei dos Reis pai amado, o REI dos reis ;)

:: Novidades do Site

:: Notícias Só Passistas

A turma do Só Passistas juntamente com Marco e Fernanda da Ala de Passistas do Império Serrano estiveram na Acadêmicos da Abolição. Veja como foi AQUI !


Site do Só Passistas AQUI!
:: Colunas Só Passistas

coluna no topo da lista foi a última a ser atualizada



Fervendo na Bolívia


Formação de um Passista


Hidratação do Corpo


Cordão do Bola Preta
 

:: Colunas

coluna no topo da lista foi a última a ser atualizada

Coreografia

Andréa de Cássia

O Corpo e a Dança
Atores do Mesmo
Espetáculo: O Carnaval

Musos do Samba

Dudu Affonso

Rodrigo Totti

Ícones do Carnaval

Marcos Paulo

Jamelão

Setor 1

Cássia Valadão

A Agenda do Carnaval
é maior do que parece

O Carnaval

Dan Menezes

Sinopse

Carnavalizando

Mameluco

A Folia nos
Estádios de Futebol

Samba na Holanda

Katja Dj

Me Apresentando

Notícias do Cortejo

Marcos Lima

Resumo do Que é
o Cortejo Real

Fábrica dos Sonhos

Márcia Leão

O olhar de um museólogo
pairando sobre a avenida


A Drenagem não Emagrece


Apenas me Apresentando


O Marechal do Samba


Vila Olímpica do Salgueiro e
Campanha contra a Dengue


Me apresentando


Tudo teve início nos
Ranchos Carnavalescos


Eu sou sambista e
não desisto nunca


Sem net e sem telefone
no meio da ilha


MODA E ESTILO das musas
e anônimas do samba


Muito Além da Sapucaí
 

:: Links de Samba


Sites de SAMBA

> A Bagaça
>
Amendoim do Samba
>
Carnavalesco
>
Federação dos Blocos
>
Galeria do Samba
> LIESA
>
Nas Garras do Tigre
>
Neguinho da Beija-Flor
>
O DIA na Folia
>
O Batuque
>
Papo de Samba
>
Setor1.com
> Tamborins
>
Tamborim Sensação
> Tudo de Samba

Escolas de SAMBA

> Beija-Flor
> Estácio de Sá
> Grande Rio
> Imperatriz
   Leopoldinense
> Império Serrano
> Mangueira
> Mocidade
> Paraíso do TUIUTI
> Portela
> Porto da Pedra
> Rocinha
> Salgueiro
> Unidos da Tijuca
> Vila Isabel
> Viradouro

 

© Alex de Oliveira - By Productions: Mau ;) - Deus é Fiel