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Lendo a matéria que recebei deste grande sambista e cidadão
samba J. Muniz Jr. Intitulado pelo mundo do samba da Baixada
Santista de: “O Marechal do Samba”, e tenho certeza que não
poderia haver titulo de maior magnitude para este sambista tão
compenetrado em tudo o que aconteceu em sua vivencia neste nosso
mundo. Ele que soube transcrever para folhas de papel que se
transformaram em livros e matérias jornalísticas a verdadeira
historia do samba Santista.
J. Muniz antes de ser jornalista, escritor e autor, ele é um
sambista em toda sua essência, compositor, mestre-sala e muito
mais, apaixonado por sua escola de samba X-9 que merecidamente
tem a alcunha de Pioneira, ele soube respeitar até os dias
atuais e ser fiel a verdadeira história do samba Santista e aos
pavilhões que a compõem.
Por isso que resolvi postar aqui em minha coluna no site do Rei,
(até uma forma minha de homenagear este baluarte), para que
vocês que a acompanhem em seu dia a dia, conheçam um pouco mais
da história das histórias do samba Santista
Espero que gostem
Abraços
Cunha Bueno
"Por J. Muniz Jr."
X-9 : A
PIONEIRA DO MUNDO DO SAMBA” 1944 – 2008
EDIÇÃO COMEMORATIVA DO 64° ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO DO GREMIO
RECREATIVO CULTURAL ESCOLA DE SAMBA X-9
Para falar da
Escola de Samba X-9 devemos lançar um olhar retrospectivo.
Voltar ao passado, quando o samba era marginalizado e
considerado uma coisa de negros e desordeiros. Além disso, muita
gente pergunta até hoje por que a escola adotou tal denominação
que chega a ser uma incógnita.
Num determinado tempo a Rede Globo transmitiu uma novela, na
qual, “X-9” era sinônimo de “Cagüeta”.
E através de outras novelas banais a expressão pegou e muitas
pessoas passaram a divulgar que um sujeito delator é um “X-9”. E
há quem acredite nisso. Em razão disso, alguns componentes da
escola foram alvo de chacotas e até hostilizados.
Como todos sabem alcagüete ou alcagüeta é aquele cara que
entrega os outros, um denunciante, bem como um preso que fica de
olho nos outros prisioneiros.
Junte-se a tudo isso o fato de que, alcagüeta é aquele que
observa para entregar.Não foi por acaso que, diante desta
insinuação maldosa, surgiu uma pergunta: “O que a Escola de
Samba X-9 tem há ver com tudo isso?” Muitos não sabem explicar e
já tempo de desvendar o enigma.
A verdade é que na década de 40 do século passado, existia uma
revista do gênero policial denominava X-9, que devido a
violência dos seus episódios era considerada o “Império do
Crime”. Seu principal personagem era o AGENTE SECRETO X-9 (Secret
Agent X-9), um defensor da lei, ao lado de outros famosos
detetives das historias em quadrinhos da época: Dick Tracy e
Nick Holmes.
A primeira publicação das “Aventuras do Agente Secreto X-9”
ocorreu em 1934, nos Estados Unidos, onde o “temerário defensor
da lei”, caçava os mais agressivos gangsters, Phil Corrigan,
como era chamado gozou de grande popularidade no Brasil nas
décadas de 40 e 50. O Agente Secreto X-9 também foi focalizado
num seriado cinematográfico, em 1937, e, em filme de 1945, ainda
em tempo de guerra, quando foi transformado no 007 daquela
época. Seu criador foi o famoso desenhista americano Alex
Raymond, também criador do Flash Gordon.Como se vê tudo não
passa de balela, pois em toda a sua trajetória, o Agente Secreto
X-9 foi um destacado detetive que combatia o crime e não um
“dedo-duro” conforme passou a ser divulgado pelo Brasil a fora,
através das novelas da televisão.Ainda no contexto dessa
convicção, é valido registrar que, nas décadas de 40 e 50,
existiu um famigerado bandido no Rio de Janeiro conhecido pela
alcunha de “X-9”. E, se alguma pessoa chegasse na época num
reduto da pesada no antigo Distrito Federal e pronunciasse tal
nome, era bem recebida.
Funcionava como uma senha, como um “salvo-conduto” ou mesmo como
um sinal cabalístico. Diante disso, tudo leva a crer que o X e o
9 exercia uma certa fascinação no mundo do samba e no submundo
das favelas.
O autor dessas linhas teve provas disso quando de andanças –
como sambista – pelos morros (Favela, Mangueira, Salgueiro,
Tuiuti, Serrinha e outros) e subúrbios cariocas (Olaria, Ramos,
Penha, Vaz Lobo, Irajá, Madureira, Parada de Lucas e outros) nas
décadas de 50 e 60.
Agora com referencia a relação entre a antiga revista X-9 e a
Escola de Samba com a mesma denominação, isso é outra historia
envolvendo velhos batuqueiros do Macuco.
É válido recordar que nos idos de 1940, a decantada Bacia do
Macuco (que tinha até uma favela), era um bairro de operários
portuários. Todavia, não gozava de boa fama devido aos malandros
e desordeiros que freqüentavam aquele reduto a beira mar,
participando de uma jogatina desenfreada (jogo de baralhos e de
dados), além das batucadas brabas, que, muitas vezes, resultavam
em pancadarias.
Era constante a batida da policia através da cavalaria da antiga
Força Pública e da radio-patrulha, quando a malandragem se
dissolvia e batia em retirada. Foi então que, no longínquo
carnaval de 1944, um grupo de batuqueiros do conjunto
Mensageiros do Samba entrou batucando num baile do Santos Dumont
F.C. , do bairro (ponto final do bonde 5), quando foram
anunciados – na base da brincadeira – como “os bandidos da
revista X-9”.
Pouco depois, em 1° de maio daquele mesmo ano, os pitorescos
bandidos que saíram das histórias em quadrinhos e se
incorporaram aos batuqueiros da bacia do Macuco, fundaram uma
escola de samba com sede na casa de n° 9 da Rua Almirante
Tamandaré e conservaram o fortuito cognome.
Dentre os fundadores figuravam destacados batuqueiros da época,
como Mestre Manézinho, Catarina, Afonso, Acácio, Eurico,
Canelinha e outros, além do renomado Cabo Laurindo, o “Diplomata
do Samba”.
E foi assim que, a Escola de Samba X-9 surgiu naquele reduto de
samba e malandragem. E, a exemplo de outras co-irmãs da época:
Numero Um do Canal 3, da “Ilha Maldita” e Ai Vem a Favela, do
Campo Grande, era de maioria negra (negros, mulatos e
amorenados).
Por isso, além do desprezo da sociedade, sofreu violência e
perseguição da polícia, uma vez que pessoas maldosas chamavam os
redutos batuqueiros de “escolas de malandragem” ou “recinto de
negrada”.
Foi à chamada época da resistência e de guerra, com seus
preceitos e preconceitos, que durou até meados de 1945, quando
as antigas escolas, inclusive a X-9, resistiram e conseguiram
finalmente serem bem recebidas no conceito do público e das
autoridades.Lembremos que, para a Escola de Samba X-9 sair e
poder desfilar no carnaval de 1945, foi necessário obter a
permissão da policia. Foi então que o Mestre Manézinho (que além
de diretor geral comandava a bateria) foi procurar o delegado de
policia na “cadeia velha” para obter a devida autorização.
Quando a autoridade perguntou o nome da agremiação e ele
respondeu X-9, o delegado retrucou de imediato: “X-9 é o império
do crime. Só tem bandidos!”. Depois de muito argumento ele
consentiu na saída da escola, advertindo: “Se vocês não andarem
direito em mando prender todo mundo!”. Indignado com o
inesperado acontecimento, o batuqueiro negro e pobre e que davam
um duro danado no cais do porto, manifestou o seu protesto
através de um samba que dizia:
“X-9, diz que é o
Império do Crime,
Nós não somos bandidos não! X-9 é uma escola de valor
Não tem malandro não senhor!...”.
E a escola
desfilou mesmo no carnaval de 1945, com os batuqueiros
caracterizados de malandros: Chapéu de palhinha, camisa
listradas, calça branca e tênis, quando foram andando até a
cidade onde visitou o jornal A Tribuna e de lá, foram a pé ate o
Gonzaga. Voltou a sair às ruas em 1946, sem participar de nenhum
concurso, pois naquela época, ainda não havia disputa para a
categoria de escolas.
Os blocos, choros e ranchos é que predominavam no carnaval.
Depois do carnaval daquele ano a escola foi adotada pelo
ben-quisto casal Cabo Roque e Tia Inês, que moravam na Rua
Almirante Tamandaré, n° 94, de onde saiu no carnaval de 1947,
ainda sob a batuta do Mestre Manézinho, para conquistar a sua
primeira vitória. De fato, no carnaval de 1947 foi realizada a
primeira disputa entre as escolas de samba, sagrando-se campeã a
X-9, que também foi à primeira agremiação do interior do estado
a disputar e a vencer concursos carnavalescos em São Paulo, a
partir de 1948, por iniciativa do Mestre Leitão.
Nesse período, a escola ensaiava no salão do Brasipés (na Linha
Forte Augusto), onde mantinha uma gafieira que funcionou até o
início dos anos 60 do século passado.
Mas, o Quartel General da escola era na casa da saudosa Tia
Inês, que tinha um “terreiro” onde foram realizadas memoráveis
rodas de samba e onde o seu pavilhão verde-e-branco foi batizado
pela Estação Primeira de Mangueira.Era lá, no seu Q.G. que se
reunia o Estado-Maior do Samba e o Dia do Samba foi comemorado
pela primeira vez na Baixada, em 1963, inclusive, abrigou a
imagem do Santo Guerreiro (São Jorge), que, com todo o seu
misticismo, passou a ser o padroeiro da escola, isso, por
sugestão do Cabo Batucada.
Assim é que, a escola permaneceu naquele reduto tradicional até
fins de 1972, transferindo a sua sede no inicio de 1973 para
Avenida Siqueira Campos, n° 97/101, onde teve um vertiginoso
crescimento e onde esta até hoje, com toda a magia e encanto,
mantendo as raízes negras e as tradições do passado.
Além de vencer em São Paulo em 1948, 1949 (Taça Diários
Associados), 1950, 1954 (Taça Radio Record), 1959 (Carnaval no
Brás), 1964 (Concurso de Âmbito Estadual da Lapa) e 1969 (Campeã
do Interior no Anhangabaú), a X-9 teve a primazia de desfilar no
Grande Carnaval em Maio no Meyer, 1968, graças ao trabalho do
Cabo Batucada e do apoio do legendário Natal da Portela.
Dessa forma,
desfilou ao lado das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro,
na época, como a Estação Primeira (sua madrinha), Portela,
Império Serrano, Acadêmico do Salgueiro, Unidos de Vila Isabel,
Imperatriz Leopoldinense, Mocidade Independente de Padre Miguel,
Em Cima da Hora e outras.
Em Santos, no
decorrer de sua brilhante trajetória, foi campeã de 1947, 1948,
1949, 1950 (E), 1952 (E), 1953 (E), 1955, 1956 (E), 1964, 1973,
1975, 1976, 1977, 1978, 1979, 1981, 1983, 1990, 1995, 1996, 1998
e 2008 (E = Empatada).Assim foi e assim é que, ao comemorar
sessenta e quatro anos de existência, a aguerrida X-9, tradição
do mundo do samba do litoral praiano bandeirantes, continua
sendo aplaudida pelo povo na passarela do asfalto, lutando
sempre, de maneira eloqüente, para manter a supremacia do samba
santista.Não obstante as emoções dos desafios e adversidades ao
longo de sua historia, persiste proeminente com coragem e
abnegação, incentivada por uma legião de componentes e
admiradores, rompendo barreiras de toda ordem, sempre
desfraldando a BANDEIRA DO SAMBA.
Portanto, a
ninguém cabe obscurecê-la, pois já se disse que:
“Há coisas que,
pelo tanto que evocam, tornam-se marcos de uma era, símbolo de
idealismo ou exemplos de superação. Repassadas por gerações,
confundem-se com a própria historia de que fazem parte. São
legendas! “.
“ PARABENS X-9!!!!!
J. Muniz Jr.Marechal do Samba 01-05-2008
“Quando, você ouvir a melodia
Que lhe trará tanta alegria,
Seu coração palpitará.
Quando, ao repicar dos tamborins
Você vier cantando assim
Quero sambar, sambar, sambar.
É, a melodia do meu samba
Que faz vibrar a gente bamba,
E faz seu corpo balançar.
Quero ouvir você gritar bem alto
Cantando e sambando no asfalto:
Dá licença, deixa a X-9 passar”.
(Samba – Hino de autoria de Walter “Marinheiro”)
"Este talves seja em minha
opinião, junto com o da Mangueira, os mais bonitos hinos das
escolas de samba do Brasil."
Até mais...
Cunha Bueno
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Falar de samba não é fácil principalmente quando se esta a 500 km de distancia
da capital do carnaval e berço do samba brasileiro, mas vamos tentar. Vou
começar me apresentado...
Nasci neto de um grande sambista na baixada Santista, nasci em Guarujá, meu avo
era de São Vicente e foi um dos fundadores do “As Baianas sem Tabuleiro” (famoso
bloco Vicentino, só desfilavam homens vestidos de Baianas), fundador das
Favoritas do Sultão (chegou a ser escola de samba na Baixada), era do tempo do
Bonde 15, famoso bonde que levava os sambistas para o centro da Cidade em
Santos, participou de muitas rodas de samba no Monte Serrat, já participava da
sociedades carnavalescas os Corsos Blocos e Ranchos, ele tinha um pequeno surdo,
e ganhou o titulo na época dado pelos amigos de primeiro e único surdo mor, sei
lá se isso realmente existia ou foi uma maneira de seus amigos o homenagearem).
Benedito Cunha Bueno vestia terno de linho branco, sapato de duas cores e chapéu
panamá, saia com seu surdo as costas e só voltava na segunda para ir trabalhar.
Meu já falecido pai já era mais tranqüilo, mas gostava de desfilar e brincar nos
Blocos desde criançinha era levado por seus tios, (cunhados de meu a falecido
avo).
Foi meu pai que me levou a conhecer o bonde 15, me levou para ver “O Banho da
Dorotéia” (famoso desfiles de Blocos patuscos e não patuscos da Baixada), onde
vi uma cena que até hoje não sai de minha mente, o maravilhoso e inesquecível
Bloco Chineses do Mercado, como era lindo ver o grande espetáculo deste e dos
outros blocos da época que eram “Cruz de Malta”, “Oswaldo Cruz”, tantos outros
mais, me lembro de quando ele levou pela primeira vez para ver a Mocidade
Amazonense em seu primeiro ano de desfile, e me apaixonei pela mesma e é hoje
minha escola de coração.
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A beleza da mulher
não está no seu corpo ou em
sua sexualidade, mas sim, no seu estado de espírito.
Feliz do homem que conhece a alma feminina, feliz do homem...
Tornei-me adulto e abracei o samba com unhas e dente, fui fundador da escola de
samba Mocidade Alegre do Itaguá na Cidade de Ubatuba, comecei saindo na bateria,
e já próximo ao desfile fui convidado a ser seu primeiro mestre-sala, isso em
1975 (em 1976 fui batizado pelo antológico casal da Beija-Flor Elcio PV e Juju
maravilha numa colossal festa em Ubatuba), na época tinha ido morar em Ubatuba,
onde fiquei por três anos, 1979, desfilei pela primeira vez na Mocidade
Amazonense, na Ala do sargento Jorge, e em 1982 particpei de minha primeira
disputa de samba de enredo, cheguei à final.
Bem em 1986 realizei um sonho conheci o Rio de janeiro e o meu querido Império
Serrano, e a maravilhosa quadra da Portela e sua velha-guarda, de quem sou
afilhado, eu tive o privilégio de ter trazido eles para fazer o batizado da ala
de compositores da Mocidade Amazonense aqui em Guarujá com outros amigos da
cidade, foi através dos sambistas Alfredo Silva (compositor do Império Serrano –
já falecido), e Jorge Cardoso (compositor e componente da velha-guarda do
Salgueiro), passei a transitar por Madureira e Irajá com desenvoltura, fiz
grandes amigos do calibre de Beto Gago, Silvio da Silva, Evaristão, Fumaça, Joel
Bandoleiro, Catalão, Kanã, Careca, Nilo do Banjo, Camunguelo (Camunga para os
parceiros), Tony Poeta (falecido) Helio Mosquito, Jorge Callado, Cosme, Bebeto e
o Carlinhos de Pilares, estes foram parceiro de vários sambas, alguns foram para
a avenida outros ficaram no meio do caminho.
Em 2001, tive a satisfação de ser levado por meu parceiro Jorge Callado para a
Unidos da Tijuca, escola que aprendi a amar e respeitar e onde fiz grandes
amigos e cheguei a três finais de samba e uma semifinal e oxalá não tenho
vontade de sair nunca mais.
Bem este sou eu tenho o site www.abagaca.com.br, e fui convidado a ingressar
como colunista neste site, deste cara que aprendi a respeitar por sua humildade,
sua decência e sua simpatia.

O Rei Momo Alex de Oliveira é sem sombra de duvidas a verdadeira expressão do
povo e do carnaval carioca, sua alegria e sua simplicidade são jóias raras hoje
em dia.
Caros amigos tenham certeza em respeito ao Alex eu tentarei dar o meu melhor
para deixá-los um pouco informado sobre o carnaval e o samba da Baixada santista
e de Sampa.
Ah... e me apresentando vocês já leram também um pouco das histórias do samba da
baixada.
Até a próxima...
espero que goste...
Abraços
Bueno
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