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Oi gente! Essa nessa matéria de hoje nossa coluna, vai lhes contar um
pouco de como a Museologia (“a Museologia é a área do
conhecimento que estuda o fenômeno Museu e as suas relações com
o real – a partir das interações entre homem, cultura e
natureza, no âmbito dos diferentes sistemas de pensamento.
Situada no campo das ciências humanas, faz interface permanente
com as demais ciências desse campo, e também com a Filosofia, a
História da Arte, as Ciências Naturais e Biológicas e as
Ciências Exatas” – área essa em que sou graduanda) pode ser
importante dentro do carnaval.
Trago hoje
uma entrevista com a professora e museóloga Regina Bibiani
Morgado, uma profissional renomada dentro e fora do nosso meio
acadêmico e muito querida por todos.
Dando
seguimento, vou dividir com vocês um pouco da agradável conversa
que tivemos, ao ter sido gentilmente acolhida em sua residência.
Márcia Leão
– Regina nos conte um pouco sobre a sua vida profissional: atual
trabalho, outros em que foi contratada e onde prestou
consultoria.
Regina Bibiani Morgado –
Trabalhei em vários lugares, principalmente em reserva técnica
(“a reserva técnica é o local no museu onde o acervo, que é o
total de objetos, é acondicionado, ou seja, acomodado de forma
conveniente a sua pesquisa, identificação, classificação,
preservação e conservação quando os mesmos não se encontram em
exposição”). Trabalhei na reserva técnica do Museu Histórico
Nacional – MHN, do Centro Cultural do Banco do Brasil, do Museu
Histórico do Exército – Forte de Copacabana, da Casa de Osório,
da Casa de Deodoro e do Museu Numismático – Eugênio Teixeira
Leal, além de prestar consultoria em diversas áreas museológicas.
O meu trabalho profissional mais constante atualmente é como professora
na Escola de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio
de Janeiro – UNI-RIO, onde ministro as disciplinas Indumentária
– social, de corte e militar – em todas as culturas do mundo
ocidental; Insígnias; Estandartes; Bandeiras; Condecorações;
Medalhas; Moedas; Heráldica e Genealogia.
Independente do mundo acadêmico, por várias vezes fui entrevistada e
solicitada a prestar consultoria. Uma delas foi sobre a
indumentária militar, acessórios e insígnias para a fantasia de
um destaque que viria representando o Duque de Caxias, patrono
do Exército Brasileiro, na Escola Imperatriz Leopoldinense,
quando ela trouxe para o carnaval de 1989 o enredo “Liberdade,
Liberdade, Abra as Asas Sobre Nós”, do carnavalesco Max Lopes.
Tema esse homenageando o centenário da Proclamação da República.
Márcia Leão
– Regina, como foi que isso ocorreu, como a senhora foi
solicitada a prestar consultoria para um destaque da Imperatriz?
Regina Bibiani Morgado –
Aconteceu que o Carlinhos, (destaque que veio representando o
personagem de Caxias), procurou o Exército para receber
informações sobre os uniformes dos militares e foi indicado a
procurar o Museu Histórico do Exército, recém criado. Lá teve
contato com o diretor do Museu, o Coronel Romeu Antônio Ferreira
que me solicitou orientá-lo em relação à indumentária, as
insígnias e símbolos nacionais da época. Naquela ocasião eu era
responsável pelo seu Departamento de Museologia.
Orientei-o sobre os uniformes históricos da Guerra do Paraguai e
principalmente sobre Caxias. Ele até me trouxe o croqui de sua
fantasia, que mostrava um chapéu bicorne com exagero de plumas,
paetês, brilhos e uma cauda imensa. Eu pedi que fossem retirados
os excessos, pois o personagem, como todo herói e patrono da
nação deveria ser representado da forma mais autêntica possível,
para não descaracterizar a imagem de uma figura histórica tão
importante à nação. Ele concordou.
Partimos para o chapéu, retiramos parte daquelas plumas, o exagero de
brilhos; passamos posteriormente para a indumentária, após para
as insígnias e as condecorações que Caxias recebeu ao longo de
sua vida. Tivemos várias reuniões; o Carlinhos foi por várias
vezes até a minha residência, e assim seguimos pouco a pouco
formando e compondo as insígnias e as medalhas o mais próximo
possível do real.
Ele levou muito material meu como, a estampa de Duque de Caxias com a
túnica de frente e de perfil, para ter uma idéia melhor dos
bordados, das dragonas, etc.; algumas estampas da Guerra do
Paraguai; de outros militares e estampas das condecorações que o
patrono recebeu. Ele recriou bem o traje, tanto que no resultado
final, perto do croqui original que me foi apresentado, a
fantasia estava bem mais de acordo com a farda de Caxias.
O instruí sobre o personagem, sua importância nacional, o que ele
representava para a nossa pátria e sobre os seus feitos. No
entanto, a princípio o Carlinhos dizia não ser necessário tudo
isso. Mas lhe disse que como ele estaria representando um vulto
dos mais sérios e com possibilidade de ser entrevistado, teria
que saber explicar quem foi Caxias e mais, teria que vestir além
da fantasia – o personagem.
Também orientei a composição do símbolo do Império no bordado do
fardamento e na fivela do cinto; ele achava desnecessário, dizia
que de longe não daria para ser visto os detalhes. Também
expliquei como se usava a espada e como era a postura militar.
Ele resolveu, dentro da medida do possível, seguir as
orientações.
Márcia Leão
– Regina, no que um Museólogo pode ajudar referente à criação de
um enredo para o carnaval?
Regina Bibiani Morgado – Ele
pode participar de quase todas as atividades, porque a
Museologia além de abranger principalmente a arte e a história,
também dispõe de outros seguimentos para interpretar os fatos
históricos e os momentos em que a temática se torna uma
história. Tendo para isso todo um aparato nos seus conhecimentos
de: indumentária, arquitetura, pintura, escultura, joalheria,
bandeiras, estandartes, mobiliário, porcelanas, cristais,
tapeçarias, têxteis e etc. É uma gama enorme, pois um assunto
puxa o outro; estão conectados.
Márcia Leão
– Regina, como é o trabalho do museólogo no sentido do seu olhar
para com o objeto de pesquisa?
Regina Bibiani Morgado – O
museólogo observa o objeto, que pode se transformar em um
instrumento de pesquisa através de seus olhos. A Museologia pode
interpretar o período artístico, histórico, a matéria de que é
feito, a técnica de confecção – podendo até em muitos casos
dizer se tratar, ou não de réplica. Também pode observar pelo
estilo e pelos símbolos que o objeto apresenta, o seu
significado real – além do objeto propriamente dito. Pois o
objeto “conta” uma história e a sua leitura interpretativa é
fundamental. Com ela podemos, a partir de um pequeno dado,
símbolo, signo, obtermos informações preciosas sobre
acontecimentos ocorridos em um determinado período e sua
cultura.
O trabalho do museólogo é um trabalho de investigação, onde se faz
necessário à intuição sintética, além da observação. O museólogo
tem que ser uma espécie de detetive, ele deve “pedir” ao objeto
para que mostre tudo que tem. Com isso, verifica-se que o objeto
fornece informações e subsídios para interpretar determinados
acontecimentos. Mas é preciso trabalhar muito, pesquisar muito,
ter muita curiosidade, paciência e mais de mil olhos de ver.
Pois, por vezes, um pequeno detalhe passado despercebido, pode
provocar erros na interpretação de um fato histórico.
Márcia Leão
– Regina, para finalizar, conte como foi para a senhora essa
experiência de orientar um destaque de escola de samba.
Regina Bibiani Morgado – Posso
dizer que essa experiência foi muito interessante, pois pude
divulgar um pouco da nossa história através do exercício da
Museologia. A Escola foi vencedora – ficou em primeiro lugar; o
destaque que solicitou a colaboração foi muito comentado e
elogiado, pois sua fantasia chamava a atenção por sua
sobriedade. Sendo o único a dar entrevistas em nome da escola,
se saiu muito bem, pois falou com muita propriedade sobre o
nosso patrono. O que me deixou muito feliz foi ele ter contado
da importância de ter ido ao Museu e de lá ter encontrado uma
profissional da Museologia que lhe deu explicações que
enriqueceram muito a sua atuação como destaque da Imperatriz.
Fim.
Márcia Leão
– Não posso deixar de ressaltar que nesse ano, a Escola
Imperatriz Leopoldinense, heróica e majestosamente deu a volta
por cima depois de ter amargado no ano anterior, em 1988, o 14º
lugar e quase descido. Foi campeã do carnaval de 1989 o que a
manteve com honra merecida no Grupo Especial. E também fico
feliz por saber que a Museologia, teve a sua cota de
participação nesse feito.
Espero que o tema
de hoje, tenha sido tão proveitoso para vocês, quanto foi para
mim.
Meus queridos, muito obrigada
pela atenção. Forte abraço, paz sempre!
Márcia Leão
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Coluna que a cada encontro vai lhes contar mais um pouco de como uma
idéia se transforma em enredo e este em um show na avenida.
Primeiramente gostaria de agradecer a
oportunidade dada pelo nosso querido Alex de Oliveira por permitir me fazer
parte da equipe do novo alexdeoliveira.com. Darei o meu melhor e farei de tudo
para mostrar a vocês em cada encontro um pouco mais de como uma idéia se
transforma em enredo e este em um show na avenida.
Bom, vamos lá então.
Nesse nosso primeiro encontro, vou lhes dar
uma idéia(apenas uma idéia) de como é feita a pesquisa para a criação de um
determinado enredo.
Inicialmente são levantadas pela diretoria,
carnavalesco e comissão de carnaval (grupo de pessoas responsáveis, juntamente
com o carnavalesco, pela criação e execução do enredo) várias idéias, que após
longa análise quanto a viabilidade de virarem enredo - uma é escolhida.
Já com o tema definido, temos que reunir o máximo possível de informações
sobre ele; informações essas conseguidas através de fontes seguras (pesquisa de
campo, entrevistas com estudiosos no assunto ou pessoas envolvidas direta ou
indiretamente com o tema, viagens também as vezes são necessárias e pesquisas em
bibliotecas, museus e livros por muitas vezes também se fazem necessário).
Tendo como suporte esses dados em mãos, é hora de selecionar o que será usado e
como encaixar "o real no sonho do carnaval"; escolher os materiais que serão
usados, as cores, estilizar as formas. É o momento em que a idéia primeiro é
passada para o papel e depois transformada em realidade.
Analisa-se por exemplo: que tipos de tecidos são melhores para tais tipos de
fantasias, que caimentos e efeitos visuais eles darão, quais cores combinarão
mais, ou então, quais tonalidades das cores da escola ficarão melhores.
Lembramos também, que nem todas as escolas dispõem de verbas para fazerem uso
dos materiais mais caros e luxuosos. Escolas como as do Grupo de Acesso, lutam
todos os anos para chegarem ao Grupo Especial, mas por não disporem dos mesmos
recursos financeiros das escolas do mesmo, contam com incrível criatividade para
realizarem um belo carnaval com pouco dinheiro.
Um dos desfiles marcantes nos últimos anos e que nos deu um lindo exemplo de que
a criatividade por vezes supera o luxo, foi a Unidos da Tijuca no carnaval de
2004, época em que ela lutava para se manter no Grupo Especial, vindo amargando
resultados pouco animadores. Mas ela deu a volta por cima e conseguiu a notável
façanha de ficar merecidamente com o título de vice-campeã, no ano em que a
Beija-flor foi campeã.
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